- Quando criança eu tinha a tradição de ir ao super mercado Carrefour com minha mãe para ajudá-la a fazer as compras do mês. Eu esperava aquele dia todos os meses - até porque eu sabia que ganharia um pacote de bolacha pra degustar sozinho depois.
- Até a 6ª série, toda vez que eu voltava de férias escolares, eu chorava na porta da escola porque não queria entrar.
Era o primeiro dia de aula e minha mãe disse aos meus avós, na porta da escola, que ia ao Carrefour depois que me deixasse ali. Eu escutei e comecei a chorar tanto - mais do que eu já estava choroso pelo primeiro dia de aula - que foi preciso uns três professores para me acalmar. Porra! Era o primeiro dia de aula - coisa ruim - e eu ainda não fui com minha mãe ao Carrefour! Era de matar qualquer criança naquela época.
Sinto saudades dessas preocupações banais...
Ao som de: Gregory Alan Isakov - If I Go, I'm Going
A nostalgia é diferente da saudade. A nostalgia não diminui com o tempo. Exemplo de como é reencontrar um velho amigo: a saudade vai acabar, mas com certeza as conversas nostálgicas vão dominar, alimentando esse sentimento como nunca. O tempo mata a saudade, mas imortaliza a nostalgia.
Dia desses me peguei segurando algumas lágrimas quando entrei no Google Maps. Sem muita coisa para fazer comecei procurar regiões que passei belas histórias. Achava, dava zoom e apreciava. O sentimento no meu peito era tão forte que se eu não tivesse o pensamento machista de "homem não chora", teria soltado algumas lágrimas pesadas como gotas de chuvas de verão.
Não sei explicar direito o que é, o por quê acontece, só ouso dizer: eu abro o Google Maps e vejo o planeta. Vou aproximando até chegar em algum país, depois até um estado, cidade, região... E está lá, lugar que um ser insignificante - através da visão de um abutre que voa a 9000 metros do solo - um dia já colocou os pés. Como é possível que aquele ponto na latitude, longitude e altura pode me afetar tanto?
É incrível como uma pessoa pode marcar nossas vidas de uma maneira perpétua. No entanto, um lugar, um ambiente, passa despercebido. As pessoas são importantes, mas a nostalgia não é completa sem o local. Afinal sempre estamos, de fato, em algum lugar. E um único lugar serve de palco para milhões de pessoas criarem suas histórias. Uma aventura com os amigos, um final de semana de viagem, uma noitada no bar... A vontade de reviver é acompanhada de muitas cenas, não só dos personagens.
Quando me pego em frente ao computador "apreciando" a foto de um satélite como se fosse deus olhando sua criação, penso: "puta merda... Aquela noite, aquela estrada, aquela música, aquele clima, aquela época, aquelas pessoas... Foi bom... É bom..."
Hoje já é possível ver tudo quanto é lugar através até mesmo de um celular. Para matar a saudade e alimentar a nostalgia, basta entrar no Google Maps e sorrir diante uma tela de computador para o lugar que, de alguma maneira, fez parte da si. Só ter cuidado para não se tornar um "nostálgico-maníaco".
Se isso é bom ou ruim, eu não sei. Só sei que as vezes tenho vontade de olhar.
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Até hoje, toda vez que eu vou fazer algo diferente do meu cotidiano, quando sei que algo vai mudar muito, sinto um nó na garganta como o que sentia quando era pequeno, no primeiro dia de aula. Agora compreendo que é o mesmo nó da nostalgia.
Fico livre em dizer e comparar o futuro certo com passado nostálgico. Ambos têm o mesmo impacto na vida. Uma balança 100% equilibrada. A nostalgia porque não estamos mais lá, junto aos bons momentos, e o futuro porque sabemos que estamos rumo à mudança, tornando o momento presente numa futura nostalgia.
Passo por aqui para me desculpar pela demora de uma nova atualização, mas é que o mês de Fevereiro foi cheio de novidades e trabalhos para mim.
Para não dizer que não atualizo, peço para quem visitar meu Blog também visite o meu Flickr - lugar que atualizo, em média, uma vez por semana –. Como meu portfólio é atualizado em lote, tenho de esperar um certo número de fotos para poder fazer um novo post aqui. ^^
Até o momento é isso. Logo mais terão notícias sobre minhas andanças fotográficas por aí.