O Corre Cai da Vida
A melhor coisa que acontece com alguém é quando o mundo lhe prega alguma peça, investe uma rasteira ou envia um desafio querendo dizer: “Vai, quero ver você sair dessa agora!”. O jeito de agir em cada situação dependente de pessoa para pessoa, mas o meu jeito é o seguinte...
Na minha aula de fotografia tínhamos que apresentar algumas fotos com o assunto
Luz e Sombra. O professor chamava um a um, que deveria trazer as fotos até o computador e apresentar através do
Datashow para a classe toda. Na minha vez eu dei o
Pen Drive para o professor, que após abrir... Cadê a pasta com as fotos? Não estava lá! “Como assim?”, pensei eu. Fiquei um tanto indignado.
Não sei se vou conseguir expressar o que senti naquele momento, mas é a mesma coisa que nadar, nadar e morrer na praia. Ou estudar o ano todo para entrar na USP e esquecer o dia da prova, lógico que em uma escala menor. É um sentimento muito ruim, de sentir-se impotente... Ah não... Não ia ficar barato assim.
Catei meu maldito
Pen Drive e pedi licença para o professor. Fui correndo até a biblioteca, mas estava fechando as portas. Não consegui usar minha lábia com a bibliotecária para ligar uma máquina e testar meu aparelhinho em outro PC.
Corri até a recepção para ver se a mulher liberava uma das máquinas para eu ver, mas logicamente foi algo improvável. “Tem três câmeras nos observando.”
Voltando para a sala, triste, sem esperança alguma de ver o Pen em outro computador, surge a idéia. Não pensei duas vezes, invadi outra sala de aula, expliquei a situação para o professor e depois do aval logo fui arrebentando a virgindade da entrada USB do PC dele. Infelizmente, para minha tristeza, meu
Pen Drive estava sem minhas fotos
TAMBÉM naquela máquina, então já sabia que o problema era do pequenino.
Voltei pra sala mais indignado ainda. Um a um dos meus amigos iam mostrando suas fotos. Não dava pra segurar, começou a virar uma questão de honra. Não tinha mais a ver em ter que mostrar para o professor avaliar nem por querer mostrar minhas fotos para a galera, era porque eu havia FEITO as fotos e elas NÃO ESTAVAM LÁ! Eu as criei para aquele propósito, então tinha que mostrá-las! Mesmo que estivessem uma porcaria!
Perguntei ao professor:
- Professor, essa máquina tem Internet?
Com a resposta afirmativa, sai da sala novamente, liguei para meu irmão e pedi pra ele acessar minha máquina de casa e me enviar as fotos por e-mail. Graças ao seu deus, elas estavam lá. Expliquei pra ele não zoar porque ia abrir meu e-mail no telão, não seria legal ter alguma coisa “a mais” na minha caixa virtual.
Esperei uns 10 minutos e fui para a sala de aula... Pensei melhor, já que havia dado uma brecha para meu irmão me zuar, resolvi invadir a sala de aula daquele mesmo professor da ultima vez, que me deixou acessar o e-mail e pegar minhas fotos.
O melhor foi o que meu irmão escreveu no final do e-mail: “Ass. Professor de Balé”
Se eu tivesse aberto pelo telão, ia ser uma piada só! XD
Mandei as fotos para o
Pen Drive, agradeci o professor por interromper a aula por minha causa, voltei para a minha sala e apresentei as fotos:
Esse é um defeito meu. Não aceito pequenas peripécias que o destino me envia. Não da para ficar parado vendo passar batido certas injustiças com minha própria vida!
Algumas pessoas já parariam logo e se sentariam na sala e ficariam resmungando, outras pegariam o monitor e o destruiriam no chão. Cada um com sua reação sobre a ação, mas para mim, e para todo o povo de fotografia da minha classe, uma pequena peripécia é “apenas mais uma”, pois o caminho é longo, mas prazeroso!
Vambora!
Jorge Maluf F.